Entrego o dorso nu

Continuo pensando sobre as implicações da sorte sobre os caminhos da vida. Falei sobre isso recentemente quando disse que não acreditava em sorte ou destino, e o quanto me incomoda o fato de que pequenos fatos, muitas vezes sequer iniciados por mim, poderiam ter impactos violentos na minha vida.

Fui resgatado por diversas idéias, algumas filosóficas, outras matemáticas. Sim, a matemática é pura filosofia, e é mãe da lógica.

O que me faz voltar aqui para escrever para vocês é o fato de eu ter entrado em contato com a Teoria da Caos de forma mais aprofundada, devido a motivos profissionais ligados à gestão democrática, emergência, auto-similaridade, auto-organização, auto-gestão, entropia, sistemas complexos adaptativos, emergência, motivação, teoria dos jogos, entre outros assuntos.

A teoria do caos é estudada pela física, matemática e filosofia, e diz, entre outras coisas, e super simplificando, que pequenos eventos podem ter grandes impactos ao longo do tempo, atuando sobre um sistema caótico. A famosa frase “O bater de asas de uma borboleta em Tóquio pode provocar um furacão em Nova Iorque” dá a idéia de como um pequeno fato pode ter influência absurda e é bastante emblemática para descrever a teoria do caos.

A grande pegadinha é que sistemas caóticos parecem ser aleatórios, mas na verdade são determinísticos, não aleatórios. Isso significa que são previsíveis, pelo menos conceitualmente. Se tivéssemos como observar todas as variáveis, conseguiríamos entender o que está acontecendo, e prever o que acontecerá em seguida. Só que normalmente nós não conseguimos controlar, prever ou entender todos as variáveis, e como elas interagem. Isso faz com que o sistema pareça aleatório e imprevisível, quando na verdade nos falta recursos para entendê-los profundamente. Sistemas caóticos são previsíveis só por um tempo muito curto, quando, do nada, ficam aparentemente imprevisíveis.

O clima é um exemplo de sistema caótico. Todo mundo sabe que uma previsão do tempo é válida só por alguns dias, e cada dia a mais acrescentado à previsão, maior a margem de erro. Há vezes em que a previsão do tempo erra a previsão do dia seguinte. O clima é aleatório? Claro que não, o clima é definido por diversas variáveis pré-definidas, nós é que não entendemos todas elas. Isso o torna, sob nossa perspectiva, imprevisível. E é nossa perspectiva que interessa, certo?

De imediato há um paralelo com toda a idéia de destino que eu havia discutido. Na discussão anterior cheguei a chamar a sorte de caos, dando à palavra uma conotação muito errada, de aleatoriedade. Eu percebo agora que minha vida não é aleatória. Sou eu que não entendo as forças que atuam sobre ela, como elas interagem, e os comportamentos que emergem destas interações (emergência é um assunto interessantíssimo na área de sistemas complexos).

Sob essa perspectiva, fica muito difícil justificar uma possível interferência divina direta, uma vez que assume-se que a evolução sobre a linha do tempo se dá sobre um número grande de variáveis (mas limitado e pré-definido).

Tentando então respondender à minha própria pergunta, do post anterior:

Até onde somos autônomos e soberanos sobre a totalidade das nossas próprias vidas?

Resposta: Não somos autônomos e soberanos. Nossas vidas são influenciadas por inúmeras variáveis em um padrão caótico imprevisível (sob a nossa perspectiva).

Nossas vidas, enquanto sistemas abertos (que recebem influência externa) estão sujeitas à desorganização, como todo sistema, mas também podem se organizar através da nossa vontade (outra influência externa). O fato de nossa vontade poder atuar sobre nossas vidas demonstra mais uma variável no componente de influência externa que determina o caos.

Ainda assim, as variáveis que influenciam nossas vidas são muitas, e temos que atuar o tempo todo para não entrarmos em desorganização completa. Comendo, tomando banho, olhando por onde andamos, tomando decisões.

Até onde somos soberanos sobre nosso destino? Na mesma medida que conseguimos organizar e entender as influências externas e prevenir a ação caótica. Isso não significa controlar todas as variáveis, mas adaptar-se a elas, surfar na onda do caos, entender que ele existe e viver de acordo com essa premissa.

Tentar controlar o caos é tão inútil quanto tentar prever se vai chover semana que vem.

Precisamos nos libertar das premissas antigas de que temos algum controle, e aproveitar melhor as oportunidades que emergem das interações caóticas.

Não, isso não é simples. Ainda tenho muito o que estudar. E vou estudar.

Vamos ver como esse novo conhecimento me serve. Vou contando pra vocês.

Aquecimento global?

Depois disso tudo, estou achando que aquecimento global é coisa de paranóico. Assistam e leiam os artigos e me digam o que acham depois. Há uma propaganda muito forte no sentido contrário. Porque será?

 

Aqui o link do video

Mais um:

Link do video

E mais essa:

Climategate: the final nail in the coffin of ‘Anthropogenic Global Warming’?

Opiniões (informadas)?

A verdade liberta

As relações humanas são muito complicadas, muito mais do que deveriam ser. Sinto que grande parte desta complicação vem de não conseguimos ser verdadeiramente sinceros uns com os outros. Percebo que a verdadeira liberdade vem somente quando nos despimos de todo o palco, e somos somente nós mesmos.

E como isso é difícil…

E como vale a pena viver uma relação verdadeira.

Coincidence, that’s all anything ever is

"You can’t describe great cosmic significance to a simple, earthly event. Coincidence, that’s all anything ever is."

Citação do filme “500 days of Summer”

Duas curtas frases, que na nossa percepção, presa ao tempo unidrecional, são tão verdadeiras.

Porque eu desejo impossivelmente o possível

“O que há em mim é sobretudo cansaço —
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas —
Essas e o que falta nelas eternamente —;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada —
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser…

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimo, íssimo, íssimo,
Cansaço…”

Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)

 

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A intensidade tem seu custo.

Ana Cañas, CéU, e o que mais eu estou perdendo?

Uma amiga indicou CéU. Ouvi no Youtube, e percebi que eu estava perdendo algo. Ouvi mais algumas coisas, e confirmei. A mulher é reconhecida no mundo inteiro, mas parece ser pouco conhecida aqui. Ou era só eu?

A mesma amiga indicou Ana Cañas. Mesma coisa: Youtube, site, pesquisei um pouco. A mulher canta bem, faz caras e bocas nos clipes, que são super originais, e ainda é bonita.

Onde eu andava? Bom, tudo bem… já passou:

CDs Ana Cañas e Céu

Não resisti.

O flerte

De todas as danças, o flerte é a mais bonita.

Saudades de não sei o quê

Às vezes me pego tendo saudades de coisas que eu aparentemente não sentia falta.

Será que sempre olhamos o passado com olhos bons demais?

Às vezes há momentos ruins associados a uma pessoa, uma foto, uma situação… Mas geralmente o que me fica são os momentos bons. São eles que dão saudade. Nem ligo pros ruins.

Acho que esse é um dos motivos que me permitem dizer que não há pessoas da qual eu não goste. Há os que eu me afino mais, outros que me afino menos. E depois de um tempo, tudo de ruim é lavado; não lembro mais.

Ficam só as coisas boas. Melhor assim.

 

Saudade é uma coisa boa, que também é ruim. É ruim porque parece que quer te prender a uma realidade que não é mais a sua, de quando você era outro você. Mas é boa porque, abusando do clichê, relembrar é mesmo viver. Os momentos bons são revividos, e trazem consigo as alegrias do instante.

Oportunidades são efêmeras

Oportunidades são coisas de momento. Ou aproveitamos ou deixamos passar. Não há “outras oportunidades”. Há a oportunidade atual. E, de repente, não há mais.

Entrego o dorso nu

Ouvi "O Fortuna" (parte de Carmina Burana), na versão orquestrada por Carl Orff, ontem, em um lugar pouco provável. Eu gosto muito deste poema, ele é de uma verdade tão profunda que machuca, acho que devido à pequenez de quem o ouve. Gosto muito desse poema, já cheguei até a postá-lo por aqui, traduzido. Não é possível ouvir "O Fortuna" depois de entender sua letra forte, e esquecer o que ela significa. Não consigo deixar de tentar relembrar sua letra em Latim, ou sua tradução no português.

A letra trata da sorte, e como ela manipula nossas vidas. A palavra "fortuna" é tratada no latim com este significado: sorte. "Ó Fortuna/És como a vida/Mutável/Sempre aumentas/Ou Diminuis".

Eu, um cara mais racional do que eu deveria ser, não acredito em sorte. Não gosto deste nome. Acho que as coisas acontecem de uma forma mais complexa do que o nome "sorte" implica; acho que o acaso não existe, e sorte implica acaso.

Também não acredito em destino. Acho que fazemos nosso destino a cada pequeno passo, a cada respiração, a cada contato, a cada pensamento.

Ainda assim, algo há. Algo há que muda tudo, que, orquestrado tão belamente quando Orff orquestrou "O Fortuna", é capaz de modificar minha vida, meu futuro e meu presente. Uma conjunção de fatores se reunem e tudo muda. Não sei explicar o que é e como se dá, apenas sinto que há.

E sinto que as consequências dos nossos atos estejam às vezes além do nosso entendimento. E a sorte – tomando uma conotação menos aleatória, nesse sentido, talvez exista. E de certo, não a entendo.

Me incomoda saber que a sorte, o caos em sua expressão mais forte, seja capaz de influenciar minha vida de maneira irremediável. Aceitar que uma decisão tomada por mim anos atrás impacta de maneira inesperada uma situação que vivo hoje é estranho, mas aceitável. A questão é que não entendemos a forma como que isso acontece, às vezes a muitas voltas, tantas que não conseguimos enxergar. Mais difícil de entender ainda é que as decisões alheias são capazes de influenciar nossas vidas da mesma forma, ainda que, imagino eu, em menor intensidade. Quase impossível de tentar entender é que fatos pequenos, mundanos e não planejados ou decididos, sejam capaz de influenciar também.

Seria a vida uma ópera dissonante, ou apenas dissonante apenas a quem não a entende?

Até onde somos autônomos e soberanos sobre a totalidade das nossas próprias vidas? Está aí uma questão que não devo conseguir responder no meu tempo de vida.

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