Antes de tudo, uma breve introdução:
Observei alguns comportamentos masculinos muito interessantes e gostaria de discuti-los com vocês, leitores deste humilde blog. Por favor se deêm o trabalho de ler o texto até o fim e tentem comentar. O assunto toca sentimentos internos que “homem que é homem” não gosta de ter tocados e é por esse motivo que eu peço que tentem ler até o fim. Não me surpreenderei se a maior parte dos comentários forem femininos.
Este é o primeiro de uma série de textos em que descreverei alguns comportamentos masculinos relacionados que tenho percebido. Vou comentar outros em breve, tentando também falar sobre a mulher. Percebi esses sentimentos em mim e em diversos amigos, e acredito que se apliquem a maioria dos homens. Ainda não estou no ponto de ser conclusivo, eu diria que são “dicas” que “peguei no ar”.

“Olá, meu nome é Zé Ninguém, e eu sinto ciúmes.
Sinto ciúmes quando alguém meche com a minha mãe, sinto ciúmes quando alguém meche com minha irmã ou com a minha namorada/noiva/mulher. Mas sinto ciúmes principalmente quando fico sabendo do triste fato de minha namorada/noiva/mulher existir antes de me conhecer. Ela não podia ter feito isso comigo.”

É desse último tipo de ciúme que quero falar.
Olhem a sua volta. Não há homem que se sinta plenamente confortável ao constatar que não foi o primeiro a tocar sua mulher.
O mais engraçado, para não dizer estranho, é que a mulher não se sente assim. O seu homem pode ter tocado quem ele quiser antes de conhecê-ça. Isso não a incomoda. Pelo menos não o toque em si.
Essa é minha primeira constatação: Homens sentem cíumes do toque, principalmente o sexual. Mulheres sentem ciúmes do afeto, da preocupação e consideração que seu afeto teve por outra mulher.

Outro fato é a direção do ciúme. O ciúme não se dá na direção do objeto do afeto, mas na direção de quem essa pessoa se relacionou no passado. Assim, um homem não tem ciúme de sua mulher ter tocado outro homem, ele tem ciúme de um outro homem ter tocado sua mulher. Tem a ver com o outro homem, não com sua mulher. Da mesma forma a mulher não quer nem saber se seu homem gostou de outra mulher, ela não gosta é que outra mulher foi gostada por seu homem. Ambos se colocam na posição do afeto passado da pessoa querida. Essa é a segunda constatação, mas vou utilizá-la somente no próximo post.

Ainda não entendo profundamente a dinâmica feminina, por isso vou me concentrar na masculina daqui pra diante.
O fato do ciúme masculino estar relacionado ao toque e ao sexo volta a algo muito valorizado há até poucos anos atrás, e pelo visto ainda bastante valorizado hoje só que veladamente: a virgindade feminina.
Perguntem a qualquer homem se ele já desvirginou alguma mulher. Ele pode não lembrar o que almoçou ontem, ou o dia em que se casou, mas sabe na ponta do dedo quantas foram e em que circunstâncias. Sabem por quê? Porquê ele conta toda hora para todo mundo sempre que tem uma chance e porquê lhe dá prazer saber do fato. E perguntem a qualquer mulher quem foi o primeiro homem com quem ela transou, e ela vai dizer quem foi e em que circunstâncias. Se ela teve a chance de conhecer o homem mais de perto vai ser capaz de contar tudo que tiver conhecido sobre ele; ela se lembra. Isso demonstra que a virgindade é importante tanto para o homem quanto para a mulher. Para o homem em especial ela é um troféu.
Ao entrar em contato com o fato de que sua mulher não é mais virgem, ou seja, que ele perdeu o troféu, o homem fica contrariado. Pode ser que não pense dessa forma, e acredito que a maioria esmagadora nunca pensou sobre isso, mas algo muito ruim se dá, chamada por nós de ciúme. O homem então, sem perceber, se coloca na posição do outro macho que levou o troféu, e fica pensando que o troféu da sua mulher está exposto para todos verem, porque ele o exporia. Tudo isso se passa muito rápido, e só o que sobra, só o que o homem percebe é o ciúme. O resto é melhor nem pensar… dá mais ciúme.
Isso chega ao absurdo de os homens separarem as mulheres entre as “para casar” e as “para transar”. Sabem porque? Porquê o homem não sabe lidar bem com a frustração e muito menos com o ciúme, e para evitar isso procura uma mulher virgem, já que essa não vai lhe dar ciúme. Uma coisa a menos para se preocupar. O mais engraçado é que o problema todo é dele com ele. Ele não quer nem saber se a mulher é virgem, ele não quer é ter ciúme. Se ele conseguisse se livrar do ciúme, ela podia muito bem ser ex-atriz pornô que ele casava com ela do mesmo jeito. Isso me leva a questionar homens que procuram mulheres assim e casamentos que se dão dentro desta dinâmica. Será que há amor mesmo, ou só uma procura de alívio de consciência, completamente doente? Será que depois desse momento adolescente (que muitos homens vivem até morrer, que se deixe claro) e quando a convivência bate a porta e a mulher não o completa como ele imaginava porque ele estava cego, o casamento vai durar?

E o ciúme “atual”, de outros homens que mechem com sua mulher agora? Esse não decorre da virgindade, já que a sua mulher não é mais virgem. De onde vem este ciúme?
Vem de diversos lugares, mas principalmente do medo de sua mulher se entregar a outro. Ele não quer saber se ela acha um cara lindo, ele quer saber se ela transou com ele. Ou pior: se alguem transou com a mulher dele. Se pudesse, assim como um cachorro, ele marcava a porta da casa dela com urina para os outros machos saberem que ela é dele e saírem de perto, mas pega mal. Então ele enfia uma alinça nela, ou até uma colera, como a Luma de Oliveira usou alguns carnavais atrás. Ou fica olhando feio para qualquer homem que olhe mais ou menos na direção dela, tipo cão de guarda. Isso é insegurança, falta de auto estima e não tem a ver com a mulher também. Homem inseguro ve sua mulher dar bola até pro papa.

O mais interessante é constatar toda essa valorização do sexo hoje, no começo do século XXI, e no Brasil! O país que inventou o ficar, que mostra bundas e peitos no carnaval, é tradicionalíssimo quando se fala de virgindade feminina. A ponto de ter expressões feitas especialmente para isso, como “tirar o cabaço”. E usam isso também para desmerecer outro homém. “Esse aí ainda é cabaço”, dizem do menino virgem. A virgindade é mesmo um troféu.

As mulheres incentivam o fato. Quando comentam que tal mulher já não é mais virgem, ou que está transando demais (quanto é demais), estão propagando uma idéia distorcida e se mostram muito contraditórias. Mulheres modernas valorizando a virgindade. Oras, mas não são o orgulho da vovó! E depois reclamam do namorado ciumento, vejam se pode! Reclamam de um comportamento que ajudaram a criar e alimentam diariamente.

Devemos buscar salvar esses homens de sua própria neurose, e fazê-los compreender que não interessa o que se passou na vida passada de sua mulher, interessa o que ele sente por ela e o que ela sente por ele. Não há tempo para perder tendo ciúme, um sentimento tão ruim e destrutivo. O difícil mesmo é o homem discutir essa dinâmica, assumir o ciúme, dicutir a virgindade de sua namorada (ou a falta dela). Os homens não estão dispostos a isso. O ciúme e o mito da virgindade estão tão arraigados no seu íntimo que fica difícil destrinchar esses sentimentos.

Deixarei para outro post o fato de que os homens valorizam a virgindade há muito tempo e a origem e o motivo disso. O importante é que isso mata a charada do ciúme. E que charada difícil de matar!