Arquivar para julho, 2009

Meu país

Começando a proposta de discutir as questões do politicalcompass.org, começo com essas:

1) I’d always support my country, whether it was right or wrong.
2) No one chooses his or her country of birth, so it’s foolish to be proud of it.

Traduzido:

1) Sempre vou apoiar meu país, esteja ele certo ou errado.
2) Ninguém escolhe o país onde nasce, portanto é tolo ter orgulho disso.

Eu sempre digo que só sabe o peso do seu país quem já morou em outro. Só quem está ou esteve nessa posição sabe como é duro ficar longe do lugar que você reconhece como seu, ouvindo uma lingua que, mesmo que você entenda perfeitamente, não é a sua, e convivendo com costumes diferentes dos que lhe soam naturais. São detalhes, mas que fazem muita diferença, principalmente quando a rotina do dia a dia começa a pesar.

Por esse motivo, não posso dizer que vou apoiar meu país somente se ele estiver certo. Mas não posso apoiá-lo se estiver errado também.

Na verdade, a questão é mais complicada. Temos que analisar caso a caso. Não apóio o país quando um de seus governantes faz algo absurdo, como aconteceu recentemente, quando o governo brasileiro não deportou o terrorista italiano. Por outro lado, em uma situação de guerra, por exemplo, talvez o país erre, e mesmo assim eu continue a apoiá-lo, porque não quero ver sua ruína. Também não apóio o governo quando decide adotar práticas protecionistas, por dois motivos: fazem mal à outros países, e, mesmo que não fique tão claro, fazem mal aos brasileiros também.

A questão do orgulho é engraçada. É comum o brasileiro só ter orgulho do Brasil na copa do mundo. E futebol me dá a impressão de batalha medieval, então não vou me apoiar neste sentimento bruto.

Tenho orgulho do Brasil em alguns momentos sim. Quando o país começa a sair do buraco, e se colocar como um dos países importantes do mundo, isso é resultado do trabalho de todos os brasileiros, que apesar de seus políticos e criminosos remando para trás, continua trabalhando forte, e impondo sua honestidade. É algo que dá orgulho, porque é algo coletivo. Não são 11 jogadores em um gramado, são milhões de pessoas lutando por algo melhor. O mesmo vale por nosso imenso sentimento de caridade. Essa vontade de ajudar ao outro é algo que dá orgulho.

Essa questão do orgulho é difícil explicar, mas é algo que sinto sim. Infelizmente, ele vem com frequência acompanhado da vergonha. Se não houvesse orgulho, talvez não houvesse vergonha. Vergonha do nosso governo abilolado e ladrão (em todos os seus poderes), vergonha do jeitinho brasileiro, vergonha de gente que mais atrapalha do que ajuda, e que carrega o mesmo passaporte do que eu.

Mas sou um otimista. Acho que até o fim da minha vida o orgulho ganha. Espero.

Razoavelmente equilibrado

Revi minha posição política no PoliticalCompass.org. Eu já havia feito o teste da Veja antes (o politicômetro), e tinha saído como uma pessoa de direita moderada liberal. Agora o teste me colocou mais ao centro, e mais individualista e anarquista do que fascista e autoritário.

Aqui está o resultado:

Political Compass

Legal ver que me mantenho consistente, e posso dizer que gostei do resultado. Me vejo mesmo como uma pessoa menos autoritária e ao centro, mas ligeiramente à direita. Ainda que me entenda diversas vezes como social democrata, em questões econômicas sou absolutamente liberal, sou capitalista até a última gota (viva o mérito!). Nada mais natural que o centro.

Sugiro que vocês façam o teste, que faz a gente pensar diante de um monte de perguntas. Vou começar a postar minhas posições à respeito de algumas delas, em uma pequena série. Vamos ver como vai.

(Thanks ao Marco pela inspiração)

Revendo: felicidade é direção

Neste domingo comentei com uma amiga sobre meu conceito de felicidade, que está expresso neste post:

Felicidade não é posição

Acho que é um dos melhores posts que já escrevi. E continuo acreditando em tudo que está lá, linha a linha, palavra a palavra.

 

Em tempo:

Onde anda minha inspiração? Será que anda sugada pelas longas horas, pelas palestras, pela rotina?

Inspiração, vontade de escrever! Volta pra mim?

Este blog é um arquivo

Este blog é um arquivo. E dos bons.

Escrevi estes dias sobre a mulher imperfeita. A Lucimara me questionou nos comentários porque eu estava sendo tão machista, e eu disse que não era machista, mas que estava notando que a mulher perfeita não existe. Isso não é machista, é só uma constatação. Homem perfeito também não existe.

E o que isso tem a ver com esse blog ser um arquivo? Em Novembro de 2003 eu escrevi sobre a mulher perfeita. Me lembrava de ter escrito alguma coisa sobre isso, mas não um post dedicado ao assunto. Achei o post, reli, e vejo que já na época eu não acreditava na mulher perfeita. Por vários anos, depois daquele post, eu cheguei a acreditar em algum muito próximo à mulher perfeita. E hoje estou de volta à mulher imperfeita.

Este blog é um arquivo.

O que será que deve ter mais de bom por aqui? Essa minha memória terrível vai me fazer reler meu próprio blog com surpresa.

A mulher (im)perfeita

Recentemente fiquei sabendo que a modelo Kate Moss jogou na piscina o laptop do namorado, vocalista do Kills. O laptop tinha algumas canções inéditas do grupo. Perda irrecuperável (talvez seria se os estúdios não tivessem os originais, o que duvido que não tinham). Ouvi na Band News FM, na voz de Ines de Castro, uma colunista bem interessante.

E daí?

Daí que a Ines de Castro comenta que Mrs. Moss teve uma escultura sua recentemente feita em ouro, e que só assim para um homem querer ficar perto dela: em ouro, parada e calada, além de pronta para ser derretida.

É verdade.

Hoje, depois de tantos relacionamentos passados fracassados (oras, se estou só hoje, todos os relacionamentos só podem ter fracassado), me pego absolutamente intolerante em diversos aspectos. Mulheres malucas é um deles, sem a menor sombra de dúvida.

É engraçado como a gente muda. Até uma certa idade engolimos muita coisa que não gostamos e que não concordamos. Em nome do amor, em nome do sexo, em nome da família, em nome de sei lá o que.

Eu já não sustento mais um monte de coisas. Nem em nome do amor, nem em nome do sexo. Na verdade, nem em nome de nada.

Fico pensando, o que seria de mim se tivesse me amarrado, "até que a morte me separasse", aos vinte e poucos anos. Suportaria mais? Seria menos intolerante? Mais altruísta?

Ou só mais acomodado?

Depois de um tempo os castelos que construímos ao longo da adolescência e da primeira juventude parecem ter sua névoa discipada. Sobra, a meu ver, muita razão.

Razão: outro nome para intolerância?

Algo que aprendi nesses anos todos: a mulher perfeita não existe.

O que isso significa?

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